terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

ANIMAL FARM de GEORGE ORWEL
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TRECHO DA OBRA:
“Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Mas não demora muito para que alguns bichos – em particular os mais inteligentes, os porcos – voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados a força”.

Este livro traz um debate, uma reflexão sobre as relações de poder, o autor crítica os Estados Totalitários, pois estes suprem as liberdades, tão importantes para a democracia. Ao assumirem o poder os porcos criam mandamentos (espécie de um contrato social), sendo que num primeiro momento o mandamento maior é que: “Todos os animais são iguais”, mas conforme vai passando a revolução os porcos vão mudando seus comportamentos e para justificar essa mudança acabam mudando também os mandamentos.
Num primeiro momento então, “todos os animais são iguais” este era o princípio geral do animalismo, mas ao final, os porcos acabam andando em duas pernas, vestindo-se como homens, e acrescentam a esse princípio o seguinte: “Todos os animais são iguais, porém, alguns são mais iguais que outros”, o que nos remete a nossa Constituição Federal e também a Declaração de independência norte-americana, onde todos são iguais. Essa igualdade entre todos os homens acaba sendo questionada, problematizada neste livro. Na prática o que se vê, principalmente nos regimes totalitários, que essa igualdade é uma falácia, uma farsa total. A igualdade acaba se refletindo na igualdade da exploração, do trabalho escravo.
Como diz Lênio Streck: “Todos são iguais perante a lei, mas no resto não” ou “Para alguns a lei é mais igual”.
Na Revolução dos bichos a noção de direito está vinculada ao poder, como força de imposição, muito peculiar ao positivismo, e não como um sustentáculo da democracia.
O ponto culminante do livro é o perigo da concentração do poder tanto em regimes de esquerda quanto de direita, o perigo do discurso manipulador que serve muitas vezes para justificar mandos e desmandos.
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4 comentários:

Yasa disse...

Considero a "Revolta dos Bichos" uma verdadeira obra prima. Ela trata de uma maneira inteligente, sensível e real do princípio da igualdade e das questões de poder. Assustador até percebemos que isso está acontecendo aqui e agora e que mesmo nós, que nos dizemos letrados, estamos sendo vítima da manipulação de informações da mídia padrão, e das falsas promessas que atendem aos nossos interesses imediatos, mas não resolvem nossas questões coletivas mais urgentes. E qual o caminho para o fim da opressão? Ainda aposto todas as minhas fichas na educação. Mas, educação de verdade, aquela que fornece condições e embasamento para contestação fundamentada e mudanças consistentes. No mais, o que temos é um discurso garantidor de manuntenção de poder a quem convém.

KADÚ disse...

ESSE LIVRO DEVERIA SER ADOTADO NA ESCOLA, TIPO ENSINO MÉDIO, PORQUE ASSIM JÁ IA ENSINANDO OS JOVENS A PENSAREM UM POUCO A RESPEITO DE POLÍTICA. PORQUE ISSO AÍ QUE CONTA NO LIVRO ACONTECE AQUI NO BRASIL. ESSE POVO ANALFABETO AÍ SÓ É EXPLORADO E NINGUÉM PODE DIZER QUE EXISTE IGUALDADE. BEM O CONTRÁRIO. EXISTE É UMA CONCENTRAÇÃO DE RENDA ENORME. PARABÉNS PELO BLOG, TÁ BEM LEGAL. VLW!!

JONES LUIZ disse...

Li e reli este livro, quisera que chega-se a todos os níveis de ensino para uma formação intelectual com maior capacidade de raciocínio e conhecimento do real pensar dos que pensam, ou logo são os que nos dominam.

cacerenga disse...

Eu vejo a obra dele mais como crítica ao comunismo do que às autocracias. Ele interconecta as coisas, mas acredito mesmo é que ele quer defender o capitalismo.

A questão da democracia, é algo que tenho pensado ser interessante analisá-la sob um ponto de vista antropológico. O que é que leva as sociedades humanas buscarem a democracia? O Fundamentos de Hugo Segundo tenta trabalhar isso. E ali há tantas referências sobre outros trabalhos.

Mas, tenho sido tentado a pensar que a democracia está ligada à uma questão de sobrevivência humana, o que me leva a pensar que há algo de evolucionismo a explicar isso. Será que temos uma propensão biológica a não tolerarmos ditadura? Ou são as experiências culturais que nos levam a repugná-las? Ou são aspectos complementares, em vez de dicotômicos? E a velha discussão nature/nurture acaba sempre me rondando. A complementaridade me parece sempre estar querendo me convencer...